Na minha primeira semana do curso de Design de Moda, me deparei com um texto proposto pelo professor que discute e questiona “O que é Moda?” e eu achei essa reflexão super interessante e relevante para pessoas que gostam de ler blogs e de se inserir nesse universo.

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Cara Delevingne

Provavelmente, em algum momento da vida você já participou de uma roda de conversa onde o tema MODA apareceu e as pessoas, algumas ou todas, “torceram” o nariz ou lançaram “no ar” expressões tais como: “Eu faço minha própria moda”; “Não gosto de estar na moda porque prefiro ter meu próprio estilo, ao invés de imitar o dos outros”, etc. Afirmações como essas demonstram, além um total desconhecimento da relevância econômica desse fenômeno que emprega milhões de pessoas direta ou indiretamente no mundo inteiro, uma ignorância também da moda em sua complexidade social.

A moda é um regime normativo do vestir, ou seja, a moda está baseada em normas.

Ela é altamente “interessada”, isto porque, ao ver um vestido numa loja, por exemplo, por mais que possamos considerá-lo bonito, remetemos esse vestido imediatamente, a um determinado contexto — esse vestido ficaria bem numa festa ou essa calça parece ótima para trabalhar —, diferente do que acontece com um fenômeno considerado belo como o pôr-do-sol, sobre cuja experiência não impomos tarefa ou contexto algum, apenas desfrutamos do seu “espetáculo”.

É bem verdade que não há como desconsiderar que a moda se aproprie do regime estético do vestir e do regime de produção das aparências, própria à linguagem do vestuário.

Vestir-se é um modo de se produzir no mundo, ou seja, é um modo de se oferecer à visão, de querer ser visto, notado. Estética (do grego Aesthésis — termo grego que designa “o modo como as coisas do mundo me afetam”) e política (modo de ser do homem na polis, no mundo público) são, nesse caso, indissociáveis. Ambos se referem à maneira como o sujeito se expõe no mundo público, ao modo como algo ou alguém se faz visto.

Esse modo de pôr-se no mundo, enquanto modo político e estético, remete-nos ao desafio de pensar a moda como produtora de lugares, espacialidades e instâncias de distribuição dos espaços que são fundados, é bem verdade, não tanto pela roupa em si, mas, com certeza, pelo ato de vestir. Assim, quando nos vestimos de uma forma e não de outra, optamos por nos inserir, nos identificar com determinados grupos e não com outros. Deixamos claro, assim, à sociedade, às pessoas que nos cercam, qual o nosso lugar social, como pretendemos ser identificados, lidos pelos demais membros dessa sociedade.

O modo como utilizamos determinada roupa é um recurso fundamental na constituição de todos os papéis sociais que interpretamos cotidianamente.

LONDON, ENGLAND - JUNE 04: (EMBARGOED FOR PUBLICATION IN UK TABLOID NEWSPAPERS UNTIL 48 HOURS AFTER CREATE DATE AND TIME. MANDATORY CREDIT PHOTO BY DAVE M. BENETT/GETTY IMAGES REQUIRED) Cara Delevingne arrives at the Glamour Women of the Year Awards in association with Pandora at Berkeley Square Gardens on June 4, 2013 in London, England. (Photo by Dave M. Benett/Getty Images for Pandora)
Cara Delevingne

Ou seja, a moda está em tudo que você veste… Em tudo que te insere em algum meio ou que, de certa forma transmite o seu estilo e a mensagem que você quer que as pessoas “leiam” visualmente.

Pensando dessa forma, é possível quebrar algumas barreiras que nós mesmos criamos e encarar a moda de forma menos complicada e mais intuitiva. Claro que existem normas e parâmetros, mas lidar com uma forma individual facilita o entendimento e nos faz sentir mais “íntimos da moda”… não é? haha

Espero que tenham gostado da reflexão.

BeijoO